sexta-feira, 14 de novembro de 2008

EU VI A CRUZ !

EU VI A CRUZ. Era de cartolina. Media cerca de dez por sete centímetros. Na parte de cima, o versículo de Apocalipse 2.10 (“Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”). Em baixo, uma fitinha. Essa cruz era um marcador de livro. Estava à venda numa livraria evangélica. Custava R$ 2,00.

EU VI A CRUZ. Era de pedra sabão, muito bonita. Bem trabalhada, media uns vinte centímetros por quinze. Tinha um pedestal que permitia que ficasse de pé. Estava na feira de artesanato, na praça de Cruz de Rebouças, perto de minha casa. Custava R$ 20,00.

EU VI A CRUZ. Era de ouro puro, dezoito quilates, bem trabalhada. Media uns cinco centímetros por três. A lâmpada que brilhava sobre ela realçava sua beleza. Custava R$ 450,00 e era acompanhada por uma correntinha para pendurar no pescoço.

EU VI A CRUZ. Também de ouro puro, com pedras cravejadas. De uma beleza impressionante. Estava num estojo de veludo azul, numa joalharia de alto nível. A vitrina que a abrigava era à prova de bala e com dispositivos eletrônicos para evitar o roubo. Custava R$ 4.000,00.

EU VI A CRUZ. Estava levantada no alto de um monte. Era tosca. Rude. Mal feita. Suja de sangue. Não era artística nem bela. Não havia luz brilhando sobre ela para enfeitá-la. O sol se escondera. Não provocava espanto por sua beleza ou por seu estojo. Nela, um homem sangrava, agonizante, com marcas de tortura e uma coroa de espinhos. Era a cruz de Jesus Cristo. Não tinha preço. Todo o ouro do mundo não podia pagá-la. Aquela era a cruz da redenção da humanidade. Era a minha cruz. Era a sua cruz. A nossa cruz.

Com gratidão por ela,

Ricardo André.

Fonte: Ricardo André

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