domingo, 16 de novembro de 2008

O PIOR DOS PECADOS

Um cristão convidou um amigo a visitar sua igreja. Este lhe disse que não iria porque “na igreja há muito hipócrita”. O cristão retrucou: “Mas você pode ir assim mesmo. Cabe mais um”. O convidado tinha o direito de recusar, mas cometeu um grave pecado ao generalizar uma crítica, ofendendo a todos, na sua desculpa. Cometeu o terrível pecado da soberba espiritual.

Este é um dos piores pecados que podemos cometer. Muitas pessoas dizem que não há distinção de pecado, que todos são iguais diante de Deus. Equivocam-se. A Bíblia mostra que há distinção de pecado. As pessoas interpretam mal esta palavra de Tiago: “Qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpados de todos” (Tg 2.10) para defender que todos os pecados são iguais. Tiago não defende isto. Ele mostra a interdependência da lei. Outro equívoco é partir do ponto de que todo pecado é um ato contra Deus. É verdade. Todos são contra Deus, mas isto não significa que todos são iguais. Há gradações de ofensas a Deus.
Isto se vê em vários lugares. Em Êxodo 32.31 Moisés diz que o povo ”cometeu um grande pecado”. Vê-se também nos diferentes tipos de sacrifícios para aplacar pecados. Se fossem todos iguais, bastaria um tipo. Segundo Paulo, os homens podem piorar em seu estado moral (2Tm 3.13). Há pecado que não é para morte e há pecado para a morte, pelo qual não se deve orar (1Jo 5.16-17). Há pecado imperdoável: “Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na que há de vir” (Mt 12.32).

Por isto que graduo a soberba espiritual, a arrogância de se julgar superior aos demais, como um pecado terrível. Foi contra isto que Jesus pregou seu mais duro sermão (Mt 23). Ele não voltou sua dureza contra pessoas depravadas, mas contra as muito santas, que procuravam justificar-se a si mesmas.
Há santos arrogantes, que se julgam superiores a todos os demais, a quem vêem como crentes de segunda classe. Vêem a igreja cheia de pecadores, ao passo que alardeiam sua santidade. Será que Mateus 23 não é uma mensagem que lhes diz respeito? Lembremos da parábola do fariseu e do publicano (Lc 18.9-14). Eis como ela termina: “Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 9.14). Lembremos que graça não é para santos, é para pecadores. Os perfeitos se colocam fora do alcance da graça. Não precisam dela. Os pecadores precisam de graça.
Um coração vaidoso tenta se justificar a si mesmo e denigre os outros, colocando-se acima deles. Espiritualidade não se mede por arroubo. Mede-se por real consciência de si. Bernard de Clairvaux definiu humildade nos seguintes termos: “Humildade é a correta compreensão de si mesmo”. A pessoa humilde não fantasia sobre si mesma. Vê-se como é. Como pecadora. Paulo, o maior de todos os apóstolos, autor de quase que a metade do Novo Testamento, declarou: “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Tm 1.15). A pessoa espiritual não vê os pecados dos outros e as trombeteia. Vê os seus e lamenta por eles.
Ninguém é tão santo como pensa que é. Nem tão bom e tão espiritual como pensa que é. O elevado conceito á seu próprio respeito é pecado. Um dos piores, o pecado da soberba espiritual.

Não sejamos arrogantes. Não somos melhores que nossos irmãos. Não os censuremos, oremos por eles e cuidemos de nossa vida. “Aquele, pois, que pensa estar de pé, olhe que não caia” (1Co 10.31). Humildade não mata, mas arrogância derruba.


Fonte: Ricardo André

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