segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Igreja ou Mundo?

É triste observar que, conforme a época da graça se prolonga, o povo de Deus parece mais determinado do que nunca a adotar as atitudes e ações do mundo. As modas vêm e vão, mas uma coisa continua constante - cada uma delas consegue deixar sua marca indelével sobre certos segmentos da cristandade professante. Para aqueles de nós que já acumularam uma certa "quilometragem", vemos esse fenômeno a partir da perspectiva de ter passado por grande parte dele. Eu realmente gostaria de poder expressar com palavras adequadas uma explicação aos jovens sobre o quanto a sociedade mudou nos últimos quinze ou vinte anos. Isso nos faz pensar em quanto mais o Senhor permitirá que esse processo continue antes de vir buscar sua igreja.

Como podemos esperar, a Palavra de Deus tem muito a dizer sobre os assuntos mundanismo e separação. Com a ajuda de Deus, gostaria de explorar ambos os tópicos em profundidade. Começo tentando definir a palavra "mundanismo". É o substantivo do adjetivo "mundano" e o Dicionário Aurélio define assim: "Vida mundana; hábito daqueles que só procuram gozos materiais.". A partir dessa definição, vemos que não é absolutamente uma palavra que seria usada para descrever um cristão. Ser mundano é aderir e seguir aquilo que caracteriza as atitudes e ações das massas; dos não-convertidos - aqueles que estão perdidos. Além disso, precisamos compreender que é uma coisa extremamente fácil de fazer. Tudo o que precisamos é "seguir as massas", seguir o caminho da mínima resistência. A natureza humana nos predispõe para o mundanismo. Antes de sermos salvos, o mundanismo era um modo de vida. Após a salvação, ganhamos uma nova natureza, mas a velha natureza pecaminosa não foi erradicada. Por isso, estamos em uma situação que garante uma vida de conflito contínuo!

Talvez você já tenha ouvido a estória sobre um velho chefe indígena que se converteu a Cristo. Certa vez, dois de seus irmãos "caras pálidas" foram visitá-lo e um deles perguntou como estava indo sua vida espiritual. O velho chefe respondeu que era como se ele tivesse dois cachorros vivendo dentro dele - um branco e um preto e eles brigavam constantemente! Após conversarem um pouco, um daqueles homens perguntou: 'Afinal, quem ganha a luta?' A resposta do chefe foi clássica: "Aquele que eu alimento mais." Embora seja uma ilustração simples, ela nos dá um quadro vívido da batalha que ocorre todos os dias dentro de nós. Se alimentarmos nossa nova natureza por meio do estudo da Palavra de Deus e da oração, crescemos "na graça e no conhecimento do Senhor". No entanto, se continuarmos a festejar "com as bolotas que os porcos comem", não devemos esperar muito progresso na vida espiritual.

O apóstolo Paulo menciona essa luta em Romanos 7:15-25. O que ele diz é vital para nossa compreensão do problema, de modo que incluimos todo o texto aqui:

"Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e, sim, o que detesto. Ora se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha própria carne, não habita bem nenhum; pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne da lei do pecado." R.A.

Essa luta interior, que Paulo descreve tão bem, deve ser igual a que experimentamos. Sabemos o que é melhor, mas nem sempre fazemos o que é melhor! Preciso dizer que só porque essa é uma aflição comum, não quer dizer que tenhamos uma desculpa para nossas ações. Permitir que ações e atitudes pecaminosas e mundanas continuem em nossas vidas, sem serem enfrentadas, é convidar problemas maiores. O apóstolo João admoesta-nos em 1 João 2:15-17:

"Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente."R.A.

Creio que cada um de nós pode ver nesses versos que o amor ao mundo é um perigo muito real para o cristão. Nossa natureza caída, que está conosco desde o nascimento, está naturalmente inclinada e preparada para as atrações que nos rodeiam. Nunca antes em toda a história humana isso foi mais problemático do que atualmente e está ficando cada vez pior! Os historiadores dizem que uma das principais razões para a queda do Império Romano foi que a maior parte da população desenvolveu um apetite insaciável por prazeres e divertimentos. Enquanto as pessoas se divertem, esquecem-se das coisas que realmente são importantes na vida. Esse tipo de comportamento é uma forma de fuga, para não enfrentar as realidades da vida diária. Como os cristãos não são imunes à doença do mundanismo, precisamos reconhecê-la como sendo uma lepra espiritual e evitá-la. (A lepra, freqüentemente mencionada na Bíblia, sempre é retratada como sendo típica do pecado.)

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