terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

É muita cara de pau...

Caros irmãos, tenho urticárias sentado no sofá vendo certos programas de televisão que se dizem evangélicos ou em frente ao meu computador navegando pela internet, quando vejo esse conceito de alguns pregadores de que a riqueza acompanha os crentes, isso é um absurdo. Certos pregadores enfatizam: "Deus prometeu deixar ricos todos nós", isto é uma falácia. Deus não prometeu isto. Deus advertiu contra isto: “... os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição" (1 Tm 6.9). E ainda diz: "A benção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores. (Pv 10.22). Hermeneuticamente falando, a Bíblia fala de enriquecermos das "bençãos" de Deus, e essas bençãos que a bíblia fala não são as materiais, são as espirituais. Enriquecer aqui fala de "EDIFICAR" e não de ficar milionário. Esses pregadores da prosperidade tem uma visão fragmentária da Bíblia. Quem não a vê globalmente, perde muito do seu valor. Uma das regras de Hermenêutica é "a Bíblia interpreta a própria Bíblia", o que implica na necessidade uma visão global da Escritura.

Dá asco só em escutar certas pregações dos famosos telemissionários de hoje em dia. Deturpam dantescamente a Bíblia e ainda fazem lavagem cerebral em alguns irmãos menos letrados. Tem que ter muita cara de pau para colocar certas propagandas e faixas na frente da igreja. Parece até um delivery espiritual, onde quem não pode ir recebe a benção em casa, mas com uma condição, o motoqueiro vai buscar o dízimo também em casa. É uma verdadeira palhaçada.

Há hoje uma busca de exotismo, de ineditismo, em nossas igrejas. As pessoas têm comichão nos ouvidos e andam como os atenienses do tempo de Paulo, à cata de novidades. Tem faltado seriedade no trato com a Bíblia por parte de muitos pregadores. Eles a usam para comprovar idéias, não de forma exegética e normativa, mas de forma auxiliar às suas posições. Esse movimento da prosperidade tem dado uma parcela de contribuição ao caos reinante com sua atitude para com a Bíblia. Quando Lutero desencadeou a Reforma, mudou o eixo de autoridade em matéria de religião: tirou-a do Magistério da Igreja e passou-a para a Escritura. Desde Lutero esta é a postura protestante e evangélica: a Bíblia é normativa. O movimento da prosperidade deslocou novamente o eixo da autoridade: tirou-o da Escritura e colocou-o no indivíduo. Uma situação pior que a pré-Reforma. Parte do caos doutrinário hoje se deve ao abandono da Bíblia como fonte de doutrina e de edificação, que passou a ser a experiência, "o Senhor me falou", "o Senhor me revelou", "Deus me disse", etc. Usa-se a Bíblia para referendar as doutrinas produzidas pela experiência de alguém.

Nossas igrejas necessitam de um estudo sério da Escritura. Isso começa pelo tratamento que o púlpito deve dar à Palavra: a exegese e a exposição devem prevalecer sobre o sermão topical e sobre as experiências e ilustrações enlatadas. Um programa sério de estudo bíblico e a promoção de leitura sadia em nossas igrejas (como há "sabrina evangélica" em nossas livrarias!) são os primeiros passos para uma virada na situação: uma volta à Bíblia e a rejeição de sonhos, visões, experiências, ilustrações dúbias e revelações.

Fonte: Ricardo André

2 comentários:

  1. Tem razão, Ricardo.
    A coisa tá feia hoje!
    A disputa por um lugar ao Sol, ou melhor, "na tela", faz das pessoas verdadeiros comediantes. Tenho assistido a atos escabrosos, à luz da Bíblia. Cada um querendo encher a sua igreja. E o pior, só "lá" é que Deus atua, curando, indinheirando, e por aí vai.
    Estão trocando a necessidade de apresentar o Plano de Salvação por festa, rituais, circo.
    Infelizmente outro dia vi na TV um "pai de santo" perguntando ao entrevistador, qual a diferença dele para uns que se apresentam na TV com "rituais" idênticos aos usados no camdomblé?
    E o Evangelho vai ficando cada vez mais enxovalhado, diminuído, ultrajado e criticado, com razão, por àqueles que não simpatizam com os "crentes".
    Para mim a Igreja está em crise.

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  2. Realmente só depende de nós, os verdadeiros apologistas, semearmos a verdadeira palavra do Senhor. Palavra pura, sem misturas.

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