segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Resposta a um filósofo sobre Maria.

Esta é uma resposta a um filósofo sobre uma postagem que coloquei falando de Maria "a mãe de Jesus" e que ele comentou neste blog. Achei interessante os argumentos e resolvi postar aqui junto com minhas refutações em vermelho.

Olá Caro Ricardo,

Em primeiro lugar quero pedir desculpas pela demora, estava em conclusão de curso e por isso estava dedicando-me apenas a faculdade e suas implicações.

No tocante ao seu comentário em meu blog achei interessante seu ponto de vista, pois você afrima que a cegueira que possuo me impede de ver a verdade.

E isso está totalmente correto! A verdade só pode ser Cristo, logo eu com meus pecados jamais poderia encontrá-la, pelo menos, não nesta vida. Sendo assim, não só eu mas você e todos os outras pessoas deste mundo jamais verão a Verdade tal como ela é, ela é pura demais para nós. Entretanto, essa mesma Verdade se fez igual a nós, rejeitou-se a si mesmo para nos mostrar o caminho para se chegar a verdade; e como isso foi possível?

Como eu disse ele se encarnou, porém como algo puro pode surgir do impuro?

Bom, estas e outras questões irei levantá-las em resposta a sua postagem sobre Maria, que a bíblia afiram ser a “mãe do meu Senhor!” (Lc 1,43).

A Verdade é Cristo, isso todos sabemos que é uma tautologia, é o mesmo que dizer que o sol esquenta e que a chuva molha. Cabe sabermos ao final deste texto se estamos no caminho dela.

Você inicia seu texto dizendo que o Novo testamento é lacônico ao se referir a Maria, e quero lhe parabenizar pois, começou muito bem. O importante para nós cristãos é a vida e os feitos de Jesus, Maria, sua mãe, é humilde demais para querer ser tão falada e comentada, ou até como vocês dizem adorá-la. Não. Porém, se ela aparece de forma resumida não significa que sua importância também o seja. Mas de início fiquemos por aqui, demostrando a humildade de Maria com suas próprias palavras: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. (Lc 1,38).

É engraçado que Maria jamais rogou a si qualquer honra, qualquer adjetivo pelo fato de ser quem foi. No entanto, vemos continuamente pessoas que fazem “profecias”, “curas”, e até fundam igrejas sem qualquer fundamento bíblico!

Por exemplo, caro Ricardo, você poderia me mostrar em que capítulo, versículo e livro na Sagrada Escritura que autorize qualquer pessoa fundar alguma Igreja? Não vou aqui entrar no mérito da Igreja Católica, vamos focar na Assembléia de Deus que aliás faz 100 anos em atividade no Brasil daqui a um ano.

Maria não fundou Igrejas, muito menos os apóstolos fundaram Igrejas em seu próprio nome,e porque? Porque ela já existia, Cristo já a tinha fundado sobre Pedro a qual confiou o cuidado; e não a estes muitos “pastores” e “bispos” que fundam igrejas sem qualquer fundamento bíblico.

E por falar em “outras igrejas”, no final do segundo parágrafo você afirma que: “apesar de todo esse silêncio, a Outra Igreja procura construir um elaborado sistema de obras de Maria e de devoção à sua pessoa?!”.

A “outra igreja” que por acaso você se refere é a Igreja Católica. Pois bem, se responder a fundamentação da existência da Assembléia de Deus ou de qualquer outra denominação protestante na bíblia, iremos nos dedicar a descobrir a verdadeira igreja de Cristo, pois nós temos de concordar em uma coisa: ela existe e esta lá em Mt 16,18; resta-nos saber aonde, é um bom assunto para uma próxima postagem.

Depois, você coloca que Maria é a forma “greco-latina”(sic) de Miriam, a irmã de Moisés. Desculpe, mas acredito que você esteja equivocado, pelo pouco que estudei – e pouco mesmo!!! - já se consegue perceber tal equívoco.

Em primeiro lugar deve-se entender que Miriam ao invés de uma forma greco-latina que você assiná-la, possui em seu nome duas vertentes, uma egípcia (myr) e outra vertente hebraica (yam) que significam respectivamente “amada” e “Deus”, Maria seria assim a amada de Deus. Existem ainda outros significados que poderemos discutir posteriormente, mas de antemão, reveja sua tradução do nome Miriam.

continuando...

Dito isto, gostaria de refletir o que você destaca sobre o que a Bíblia afirma sobre Maria. Tomara que não doa....

Você inicia abordando os títulos de Maria que verdadeiramente não se encontram na Bíblia – como a Igreja a qual você pertence a Assembléia de Deus – entretanto, não se deve esquecer que a bíblia não é a fonte de toda a verdade, se assim o fosse deveríamos seguir a bíblia e não a Deus. Além do mais a própria bíblia se denomina como carente de toda a verdade, veja só as palavras de João em seu evangelho:

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que os livros que seriam escritos não caberiam no mundo.”

As fontes nas quais temos a revelação encontram-se na Bíblia e na tradição, que se me lembro bem, você em seu primeiro comentário sobre as repostas dadas ao Daladier, parece que não concorda com este argumento. Mas, ir contra ele é ir contra a bíblia que para você é impecável e soa como contradição. Quer um exemplo? Analisemos o livro dos Atos dos apóstolos:

“No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até o dia em que foi levado para o céu. Antes disso, Ele deu instruções aos Apóstolos que escolhera, movido pelo Espírito Santo. Foi aos Apóstolos que Jesus, com numerosas provas, Se mostrou vivo depois da sua paixão: durante quarenta dias apareceu-lhes e falou-lhes do Reino de Deus.” (At 1,1-3)

Veja, caro Ricardo, que Jesus após a sua ressurreição esteve ainda quarenta dias com Jesus ensinando-lhes muitas coisas. Estas coisas, porém não estão na bíblia então o que faremos? Desconsideremos tudo o que ele disse e ensinou? Será que a Assembléia de Deus concorda com isso? É uma boa questão essa,pois ela implica outra: os “pastores” da Assembléia de Deus são ordenados por outros “pastores” ou “bispos”, mas se voltarmos ao fundador da Assembléia iremos ver que ele não foi ordenado por ninguém, pois ele por orgulho de fundar e ser concorrente de Cristo fundou a sua própria igreja, ditando os seus costumes juntamente com a bíblia. E você, estudante de teologia deve saber que os apóstolos ordenavam aqueles que iriam dirigir as igrejas nas quais fundavam após a imposição das mãos, imposição essa que não nos mostra existência nos evangelhos mas, na carta de Paulo a Timóteo, este o ordena através da imposição das mãos, imposição essa que provavelmente fora fruto do ensinamento de Jesus aos apóstolos , veja:

“Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, para anunciar a promessa da vida em Jesus Cristo, ao amado filho Timóteo: graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo nosso Senhor....Lembro-me da fé sincera que há em ti, a mesma que havia antes na tua avó Lóide, depois na tua mãe Eunice e que agora, estou convencido, também há em ti. Por esse motivo, convido-te a reavivar o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos. “(2 Tm 1,1-6)

Como esta resposta está tornando-se longa eu pararei aqui. E enquanto aguardo sua reflexão sobre minha resposta continuarei elaborando sobre a parte que resta.

Feliz ano novo!



Olá, caro amigo filósofo.



Peço-lhe desculpas pela demora, visto que as férias da faculdade e do trabalho me deixaram um pouco preguiçoso, pois aproveitei para descobrir outros lugares, sair com a família e descansar bastante, bem como me entregar a morpheus. Rs Rs


Bem, mas vamos lá... Você começa dizendo que com os nossos pecados jamais iremos encontrar a Cristo, pelo menos, não nesta vida, e que “a verdade é Cristo” é uma tautologia. Sabemos que a bíblia é repleta de, como você diz, tautologia, eu prefiro dizer linguagem antropopática, para facilitar o entendimento humano, sendo assim Discordo completamente quando você diz em não encontrar a Cristo nesta vida, não por encontrar a Cristo da forma que ele é e está atualmente num corpo glorioso, isto realmente só encontraremos na glória, mas encontrar a verdade “Cristo” como ela é, que é a Palavra de Deus, não vejo empecilho nenhum nisso. Jesus disse: “Eu Sou o caminho, a verdade, e a vida. Se Cristo Diz em Jo 14.6 que é a verdade “palavra” e Jo 1.14 diz que o verbo “palavra” habitou entre nós e Mt 9.6 diz que tem poder para perdoar pecados, por que então você diz que jamais iremos encontrar a Cristo nesta vida? Visto que Mt 28.20 Jesus diz que estará conosco até a consumação dos séculos. E ainda At 10.43 diz que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.


Você diz: “No entanto, vemos continuamente pessoas que fazem “profecias”, “curas”, e até fundam igrejas sem qualquer fundamento bíblico!” Concordo plenamente com você em relação a esses ladrões da fé que usurpam a fé dos mais humildes para manterem o seu nababo eclesiástico. Dizendo-se profetas de Deus e homens de fé, esses personal profets realizam shows gospel mirabolantes e curas teatrais para aproveitar-se dos menos favorecidos, onde o verdadeiro cristianismo corre longe disso. Agora, dizer fervorosamente e sem titubear que em Mt 16.18 Cristo coloca Pedro como fundamentação da igreja é cômico. Aí entraremos novamente em linguagens. Quando Jesus diz a Pedro: “tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, temos que saber Quando Cristo falou “...esta pedra...” não estava se referindo a Pedro, mas sim à anterior declaração de Pedro a respeito de Jesus “Tu és o Cristo, O Filho do Deus vivo”. Cristo é a pedra fundamental da igreja. Paulo afirmou: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já esta posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Co 3.11). No grego, a palavra Pedro é petros, do gênero masculino, enquanto pedra ou rocha é petra, do gênero feminino. O que Cristo disse: “Tu és Petros (masculino), e sobre esta petra (feminino) eu edificarei a minha igreja.” Mostra-se assim que Cristo não estava falando de Pedro como a pedra ou rocha, mas sim a respeito da declaração de Pedro “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Se Pedro fosse a rocha, Cristo teria dito: “sobre ti edificarei a minha igreja”, mas não disse. É interessante observar que na narrativa de Marcos a frase de Cristo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”, é omitida (Mc 8.27-30). Marcos por muito tempo foi companheiro de Pedro e no seu evangelho há uma profunda influência do mesmo. Pedro chamava Marcos de filho (I Pe 5.13). Pedro em nenhum momento disse de si mesmo como a rocha ou pedra da igreja. Pelo contrário, sempre mostrou a Cristo como a pedra: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posto como cabeça de esquina” (At 4.11). Ao analisarmos o trecho bíblico de Mt 16.13-20, devemos partir para a análise da afirmação católica que Pedro foi o primeiro papa. Se ele realmente foi o primeiro papa, o foi de maneira totalmente diferente dos padrões papais. Há um abismo enorme entre Pedro e os seus pretensos sucessores. A verdade é que Pedro não foi o primeiro papa e a ordenação de um dirigente humano universal para a igreja está totalmente contrária às Escrituras. Jorge Buarque Lyra (in: Catolicismo Romano) argumentou muito bem: “Poderia, acaso, de alguma forma, um homem ser fundamento de uma obra divina? Se pudesse (admitindo-se o absurdo), tal obra deixaria de ser divina.”


Quero lembrar ao amigo que sou assembleiano por conveniência, mas Cristão por convicção. Independente de placa de igreja, eu sirvo a Cristo com sabedoria e convicção da minha fé.


Sobre o nome de Maria quero poupar-me de entrar na forma correta da língua grega, visto que você disse que estudou “pouco mesmo”.


Você diz: “entretanto, não se deve esquecer que a bíblia não é a fonte de toda a verdade, se assim o fosse deveríamos seguir a bíblia e não a Deus.” Você é realmente cômico, gosto disso, mas foi infeliz no seu comentário. Pergunto-me como seria isso. Você conseguiria estudar filosofia sem conhecer português? Ou melhor, você conseguiria estudar filosofia sem conhecer Platão e o mito da caverna? Quem sabe você conseguiria estudar filosofia sem conhecer o ateísmo de friedrich Nietzsche, ou o os conceitos dos pré-socráticos sobre a existência do mundo. (Tales de mileto, Anaxágoras, Anaxímenes de mileto, Anaximandro de mileto e outros), ou ainda estudar filosofia sem as definições da busca da felicidade de Aristóteles, que diz que é conseguida através da vida contemplativa da filosofia, ou estudar Kant sem a investigação da subjetividade e a faculdade de conhecimento. Pode você fazer isso? Então ninguém pode seguir a Bíblia se não conhece realmente a Deus e a sua verdade revelada “Cristo”.


Quando a Bíblia diz: “Se fossem escritas uma por uma, penso que os livros que seriam escritos não caberiam no mundo.” Isto é uma hipérbole, visto que o amado João quis salientar que foram muitas as maravilhas que Jesus fez. Isto não nos dá a presunção de afirmar que a Bíblia não é a fonte de toda verdade. Sendo assim poderíamos dizer que sendo a maioria dos filósofos ateus, seus pensamentos são todos malditos. Isto seria um absurdo afirmar.


Você diz: “Veja, caro Ricardo, que Jesus após a sua ressurreição esteve ainda quarenta dias com os apóstolos ensinando-lhes muitas coisas. Estas coisas, porém não estão na bíblia então o que faremos? Desconsideremos tudo o que ele disse e ensinou? Será que a Assembléia de Deus concorda com isso? É uma boa questão essa, pois ela implica outra: os “pastores” da Assembléia de Deus são ordenados por outros “pastores” ou “bispos”, mas se voltarmos ao fundador da Assembléia iremos ver que ele não foi ordenado por ninguém, pois ele por orgulho de fundar e ser concorrente de Cristo fundou a sua própria igreja, ditando os seus costumes juntamente com a bíblia.” Você só esqueceu-se de dizer que Jesus também foi visto por mais de quinhentos irmãos I Co 15.6. Agora lhe pergunto amado amigo, quem separou Paulo para o apostolado? Rm 1.1 diz: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus” I Co 1.1 diz melhor ainda: “Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus)” II Co 1.1 ele ainda afirma : “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus” Mas é em Gálatas que ele é enfático em afirmar: “Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos) Gl 1.1” Continuo a perguntar quem separou Paulo para o apostolado? Será que Paulo por orgulho ou por que queria ser concorrente de Cristo se autodenominou apóstolo? Não vejo problema em pastores serem ordenados por outros pastores, ou será que você queria que o papa “a pedra” ordenasse os pastores.


Espero que tenham sido proveitosas essas refutações. Sendo assim espero notícias e sinceras reflexões a respeito do assunto que lhe convir.

Feliz ano novo com Jesus!

Ricardo André

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