terça-feira, 23 de março de 2010

FALAR VOCÊ FALA, MAS CONVENCE?

Convencer. Esta é a grande vitória, mas também o grande desafio para quem fala em público. Porque a maioria dos oradores não convence falando? Falta de inspiração? Falta de dons? falta de talentos? Falta de carisma? Falta de caráter? Eita, peguei pesado...

É lamentável que pastores, oradores, conferencistas, não estejam muito preocupados em convencer. Preferem apenas falar por falar. Não estou falando do convencimento do pecado, este só quem convence é o Espírito Santo.

É patético ver um preletor falar com muito preparo e ver uma platéia inteira dormir de improviso; enquanto o preletor está falando ( o tema é de interesse geral ) as pessoas vão se desligando sistematicamente: olham para cima, para os lados, desenham na agenda, fazem cálculos do imposto a pagar, cochilam, bocejam, estão mais ligadas na situação familiar do que no tempo presente... distantes, distantes, longe.

E o preletor falando... Será que ele não percebeu que já perdeu o crédito há muito tempo? É autoridade e permanecerá sendo, no assunto que domina. Apenas não sabe passar isto à frente. Não se comunica, apesar de falar bem sobre o assunto. Ás vezes fala muito eloquentemente, mas na platéia quem está é o povão que só sabe dizer, cuma, donde, visse, adonde e etc...


Mas que fatores levam um orador a não convencer, falando?

1. Antipatia

Há um sentimento de repulsa espontânea quando o orador se apresenta rígido, formal e extremamente sério. O público não perdoa oradores descorteses e de aspecto pouco feliz ( rosto franzido, olhar severo, semblante fechado). A ausência de um sorriso sincero estabelece a ruptura entre o orador e o público.
2. Defeitos na emissão da voz

Há tipos vocais que causam apreensão e afastamento das atençôes quando iniciam suas falas.    
             
3. Uso moderado de clichês

 Clichês são palavras ou grupo de palavras muito desgastadas pelo uso. Vulgariza uma mensagem e torna medíocre o orador que faz questão de usar em demasia.

4. Fraca imagem própria 
 
Antes de um preletor começar a falar, a primeira observação é para a sua imagem: postura, vestimenta, aspecto facial, forma de olhar. Um orador com postura corpórea fletída dá idéia de peso, cansaço, excessiva humildade; assim como ombros alteados e corpo ereto demais passa a imagem de arrogância. Vestimenta simplória, rústica, ausência de estética nas cores; face de sofrimento e olhar perdido ao longe, além de uma voz tênue e eivada de uma imagem sofrida... Imagem de derrota.
 
5. Inadequação Temática
 
O que se espera de alguém que assume o púlpito para falar? Que domine o tema! Resposta fácil. Mas nem sempre é assim. Pastores que tomam um tempo enorme falando de um tema de que não tem vivência, nem domínio, nem o seu estilo está adequado. Então inicia falando sobre violência social e descamba para as pesquisas no polo Sul. Não há roteiro, não há estímulos, não há evidências de conhecimento de causa. Fala e não convence. O que poderia se esperar além disto?
 
Falar em público não é nenhum mistério. Basta abrir a boca e ter alguém ouvindo. Pronto: você é um preletor. Embora o medo do púlpito, seja o maior responsável pela repulsa a falar em público, não se deve usá-lo como desculpa para ficar sentado na platéia quando deveria estar lá na frente, falando. Mas por que tanto medo?
 
O medo de falar em público é considerado o medo que pode transformar um homem enorme num bebê chorão. Neste momento, informam alguns, o pensamento foge e as idéias se perdem e não se encontra argumentos... Um vazio se instala de repente e isto provoca pânico... O que dizer? Como argumentar? Como continuar falando?
 
Certa vez alguém disse: "O cérebro humano é uma coisa fantástica. Começa a funcionar no momento em que nascemos e não pára até que precisamos falar em público..." E falar em público não é uma coisa que se faça em pé no púlpito ou no palanque, é o que se faz sempre que diz uma palavra fora do ambiente da casa da gente. Quando se pensa que falar em público deveria ser uma conversa em público, a metade do medo terá sido vencido.
 
Algumas causas sobre o medo de falar merecem ser analisadas com cuidado
 
1. Desconhecimento sobre o potencial. Quando um orador não conhece seu arsenal disponível para falar em público, a tendência normal é o fracasso. E potencial pode ter relação com a aquisição de informações arquivadas. A leitura, normalmente, é o mecanismo que abastece a memória; quando a leitura é limitada, as informações também serão limitadas.
 
2. Desconhecimento sobre a própria capacidade de controlar. Algumas pessoas quando começam a falar, tem o momento certo de início, mas não sabem como chegar ao fim da apresentação, daí a grande confusão com o desenvolvimento do tema. Quando a pregação ( aula, palestra, sermão, conferência, etc.) não é roteirizado, a probabilidade de se ficar à deriva é muito grande. Mas além do controle do medo, tensão, ansiedade, manifestações corpóreas ( sudorese, taquicardia, falta de saliva, etc ), há também o descontrole da igreja. E este controle é feito geralmente através do olhar. É olhando que nos identificamos com as pessoas presentes na igreja. Quando o orador começa a falar e olhar para a janela, portas, chão, luzes ou o papel preso à sua mão, a tendência normal do auditório é a fuga do foco ( foco em questão é a presença do orador).
 
3. Desconhecimento ou falta de previsão de prováveis reações. Por parte de quem? Pode ser por parte do orador ou do auditório. Do orador é provável que surja ao longo da sua fala: cansaço, necessidade de informações novas, mal-estar orgânico e até mesmo confusão mental. Por parte do auditório: barulho, agitação, agressividade como reações a um mal-entendido ( conceitos errados, preconceitos, palavras agressivas, etc). Quando se vai falar em público é preciso fazer algumas previsões. Isto pode começar com o próprio ambiente onde se vai falar. E se está faltando energia ou durante a exposição faltar? E se o tom estiver muito alto ou baixo? E se a iluminação for insuficiente? São situações em que vai haver provocação e a isto sempre se terá uma contra-ação. Previsão é algo benéfico na vida de um orador.

4. Falta de informação. Informação é a palavra chave na vida de um orador. Para se construir a idéia é preciso muita informação. Para se desenvolver as idéias, mais informações se fazem necessárias. E para expô-las, são necessárias milhares de informações.

Quando um orador fica muito preocupado com o seu desempenho, perde a segurança. Sua proposta como orador não é impressionar a platéia com as suas idéias, mas estabelecer uma efetiva comunicação com ela. A comunicação ocorre quando as idéias de sua mente são transferidas para as demais pessoas presentes sem serem deformadas ou perdidas ao longo do período de exposição.

Fonte: Noélio Duarte

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