terça-feira, 9 de novembro de 2010

INERRÂNCIA E INFALIBILIDADE DA BÍBLIA

A questão da autoridade da Bíblia é central para qualquer teólogo que se preze. As duas palavras mais comumente usadas para expressar a natureza da autoridade bíblica são "Inerrante"e "Infalivel". Embora estes termos sejam aproximadamente sinónimos com base na etimologia, são usados de modo diferente. Na teologia Católico-Romana, Ïnerrante"é aplicado à Bíblia, e Ïnfalivel"à Igreja, especialmente a função do Papa e do Magisterium. Visto que uma hermenêutica correta rejeitam a infalibilidade tanto do Papa como da Igreja, o termo tem sido aplicado cada vez mais às Escrituras.

Alguns têm sugerido que as Escrituras sempre podem ser confiáveis em questões de ordem moral, mas que nem sempre são corretas em questões históricas. Eles confiam na Bíblia no campo espiritual, mas não na esfera da ciência. Se isso fosse verdade, entretanto, negaria a autoridade divina da Bíblia, já que o espiritual, o histórico e o científico então freqüentemente Interligados.

A inerrância é uma decorrência lógica da inspiração. Porque inerrância significa verdade total, sem erros. E o que Deus profere (inspira) tem de ser completamente verdadeiro e sem erros (inerrante). Alem disto a inerrância aplica-se a todas as partes da Bíblia conforme foram originalmente escritas, isto significa que nenhum manuscrito ou copia atualmente existente das Escrituras, não importa quão exato seja, pode ser chamado inerrante. Contudo, convém especificar com maior clareza o que significa "verdade" e o que constitui um "erro". Verdade significa aquilo que corresponde à realidade. Um erro, então, é o que não corresponde à realidade. A verdade é dizer o que de fato é. Um erro é não dizer o que é. Consequentemente, nenhuma coisa errada pode ser verdadeira, mesmo que o autor pretendesse que o seu erro fosse algo verdadeiro. Um erro é um erro, não simplesmente alguma coisa que nos faça errar. De outro modo, toda expressão sincera poderia ser considerada verdadeira ainda que se tratasse de um erro grosseiro. Da mesma forma, algo não é verdadeiro simplesmente porque realiza o propósito que havia sido estabelecido, já que muitas mentiras são bem-sucedidas.

Naturalmente, toda vez que Deus tornou a verdade bem clara, a estratégia de Satanás foi lançar dúvidas sobre ela. Sempre que Deus falou com autoridade, o diabo desejou solapá-la. "Será que Deus disse isso?", ele fala com escárnio (Gn 3:1). Esta confusão, com freqüência, acontece da seguinte maneira: A Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada de alguma forma, mas é também constituída de palavras humanas. Ela teve autores humanos, e "errar é humano". Daí, temos de esperar haver alguns erros na Bíblia... Por aí vai esse argumento. Em resumo, a verdade clara e simples de Deus acaba sendo confundida com a mentira de Satanás, o senhor das mentiras (Jo 8:44). Vamos analisar o que há de errado nesta argumentação. Uma simples analogia nos ajudará. Considere o seguinte raciocínio que, por ser paralelo àquele, é igualmente falho:

1.   Jesus era um ser humano.
2.   Os seres humanos pecam.
3.   Logo, Jesus pecou.

Como qualquer estudante de lógica sabe, este é um silogismo (uma forma de raciocínio) válido. Mas qualquer estudante da Bíblia sabe de imediato que esta conclusão é falsa. Jesus foi um homem "sem pecado" (Hb 4:15). Ele "não conheceu pecado" (2 Co 5:21). Ele foi um "cordeiro sem defeito e sem mácula" (1 Pe 1:19). Como João disse a respeito de Jesus: "ele é puro" e "justo" (1 Jo 3:3; 2:1). Mas, se Jesus nunca pecou, então o que está errado no argumento acima, de que Jesus era humano, de que OS homens pecam e de que, portanto, Jesus pecou? Onde é que a lógica se perde? O erro está em se assumir que Jesus era como qualquer outro ser humano. Com certeza, meros seres humanos pecam. Mas Jesus não foi um mero ser humano. Ele foi um ser humano perfeito. De fato, Jesus não era apenas humano, mas ele era também Deus. Da mesma forma, a Bíblia não é meramente um livro humano. Ela é também a Palavra de Deus. Como Jesus, ela é tanto divina como humana. E da mesma forma como Jesus era humano, mas não pecou, também a Bíblia é um livro humano, mas sem erros.

Ainda que a Bíblia seja a Palavra de Deus e, como tal, nela não possa haver erro algum, isso não significa que nela não haja dificuldades. Todavia, como Agostinho observou com sabedoria: "Se estamos perplexos por causa de qualquer aparente contradição nas Escrituras, não nos é permitido dizer que o autor desse livro tenha errado; mas ou o manuscrito utilizado tinha falhas, ou a tradução está errada, ou nós não entendemos o que está escrito" . Os erros não se acham na revelação de Deus, mas nas falhas interpretações dos homens.
A Bíblia é isenta de erros, mas os que a criticam não são. Todas as alegações feitas nesse sentido baseiam-se em erros cometidos pelos próprios críticos.

7 comentários:

  1. Beleza Ricardo! A Paz!
    Esse é nosso fundamento!
    Estou começando no Blogger!
    souteologico.blogspot.com
    Não deixe de acompanhar!
    Abraços!
    Orlando

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  2. Olà|,
    Deixando Claro que a ÚNICA versâo das Sagradas Escrituras que està fielmente de acordo com os Originais,letras por letras,palavras por palavras è a versâo "REVISTA E CORRIGIDA",isto é fato,atè||.-(arc-ibb).

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  3. Olá,

    Permita-me dizer que é bastante contraditório, contraditório mesmo, a Bíblia não relatar em momento algum que é inerrante no sentido que você diz e falar. Pior ainda, a Bíblia sequer tem a capacidade de se delimitar, definir-se. Ou alguém aqui já viu a lista de livros inspirados da Bíblia nela própria? A Bíblia só é o que é e só chegou hoje até nós por ação direta da Igreja Católica, com todo o seu magistério, com todos os seus papas, com todos os seus santos, como toda sua hierarquia, com todos seus ensinamentos. Essa é a verdade, muito simples, inclusive.

    Em Cristo,

    Helder

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    1. Caro Helder! Existe uma diferença em ler as escrituras e estudar as escrituras. Quando estuda-se as escrituras faz-se teologia, o que a igreja católica PROIBIU de ser feito durante muitos séculos até a reforma que custou a vida de muitos protestantes. Após o concilio de Trento no séc VI; foram inseridos os livros apócrifos na Canon para dar autenticidade às doutrinas não Bíblicas e o poder do papa foi estabelecido acima da revelação especial, a Bíblia. Essa é a responsabilidade da igreja Romana na preservação da Bíblia? Quem estuda a história do catolicismo acaba por apostatar da fé católica, que proibiu a leitura e tradução da Bíblia por muitos séculos.
      Abs.

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    2. Só uma correção sec XVI, não saiu o x.

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  4. Olá pra você também caro Helder,
    Quanto mais o tempo passa eu gosto mais ainda daquela frase única que disse o grande filósofo Ludwig Wittgenstein. " Que bom que não me deixo influenciar".
    Gostaria que você Helder pudesse me mostrar, talvez eu seja um pouco desapercebido ou até mesmo ignorante em não querer enxergar uma contradição dentro da palavra de Deus. Tenho algum tempo de evangelho e de faculdade teológica e, sinceramente, não consegui achar nenhuma contradição ou erro na Bíblia. Talvez o senhor com uma inteligência augusta possa me mostrar ou uma coisa ou outra na palavra de Deus. Segundo a sua premissa se ninguém nunca viu a listra de livros inspirados nela própria, também Deus não não existe. Pois se ninguém nunca viu Deus, logo Ele não existe. Correto? Faça-me o favor !!! Isso que você acabou de dizer, chamamos de "Silogismo".
    Outra coisa, você dizer que A Bíblia só é o que é e só chegou hoje até nós por ação direta da Igreja Católica, então você fere as escrituras que diz que em 2 Tm 3.16 que "TODA escritura é DIVINAMENTE inspirada".
    Agora me responda caro amigo, porque os 7 livros a mais que estão na Bíblia católica não foram tidos como inspirados pelo Espírito Santo pelo cânon bíblico dos cristãos primitivos? Por que será?
    Caro Helder, Como este assunto é muito extenso e requer um mínimo de retidão intelectual, caso você queira, lhe passarei toda a história do catolicismo romano.

    Em Jesus,

    Ricardo

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  5. Ah... esqueci de dizer...

    MUITO SIMPLES INCLUSIVE.

    Ricardo.

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