domingo, 4 de setembro de 2011

PESSOAS OU COISAS

O primeiro princípio básico do hierarquismo, acerca do qual se pode esperar concordância geral é que as pessoas são mais valiosas do que as coisas. É por isso que as pessoas devem ser amadas e as coisas devem ser usadas. E, inversamente, as coisas não devem ser amadas e as pessoas não devem ser usadas. Nas palavras de Kant, as pessoas devem ser tratadas como fins mas nunca como meios. Ou nas palavras de Martin Buber, deve-se manter um relacionamento eu-tu com pessoas e um relacionamento eu-isso com as coisas. Ou seja, nenhum outro sujeito deve ser tratado como mero objeto, mas, sim, como outro sujeito com sua própria subjetividade e liberdade.

Várias implicações deste princípio podem ser notadas. Em primeiro lugar, as pessoas são intrinsecamente superiores às coisas, porque os sujeitos são mais valiosos do que meros objetos. Um sujeito pode olhar outras coisas como objetos (até mesmo a si próprio), mas um objeto não pode conhecer nem a si mesmo nem a outro objeto. 


Aonde quero chegar? Infelizmente no meio cristão alguns ministros, irmãos e vocacionados só fazem alguma coisa na obra de Deus em troca de algo palpável, como se Deus fosse comprar os seus serviços. Então não seríamos cristãos, mas sim prestadores de serviços de Deus. Seria bom que meditássemos em MT6.25-33.

É bom sabermos que as bençãos de Deus são inegociáveis e específicas. Também é bom sabermos que benção é totalmente distinto de salvação.

Meditemos nisso e ofereçamos nossa gratidão ao Senhor sem esperarmos algo em troca.

FILOSOFIA E TEOLOGIA

A filosofia e a teologia utilizam-se da razão para abordar questões semelhantes, mas a teologia parte da revelação bíblica e procura explicar a realidade a partir dos dados da revelação entendidos pela luz da razão. A fiosofia, por sua vez, parte unicamente dos dados da realidadee da instrumentalidade da razão para a explicação da realidade. Na verdade cada uma delas tem o seu lugar. A Bíblia não foi escrita para nos revelar todas as coisas. Ela nos fala principalmente daquilo que Deus quis nos revelar sobre seu plano de redenção para a humanidade.

Deus não nos revelou tudo sobre si mesmo, nem sobre o mundo criado, na Bíblia. Se assim fosse, não haveria espaço nem para a pesquisa científica. A Bíblia tem propósitos específicos; ela nada nos diz sobre a alimentação dos cangurus australianos e nem sobre as regras do raciocinio lógico. Nem deveria dizer, não é o seu propósito.

A verdade é que a filosofia e a teologia se complementam. Não posso escapar de usar métodos lógicos, emprestados da filosofia, para analisar a revelação bíblica. Por que motivo temos tantas linhas teológicas distintas? Não temos todos a mesma Bíblia? O fato é que o texto sagrado contém os dados da revelação, mas a tarefa de interpretação e relação com nossa experiência e cultura cabe a teologia, que por sua vez usará o instrumento da filosofia. 

Quando um crente argumenta que se baseia apenas na Bíblia para defender sua idéias, ela sequer compreendeu a séria e dura tarefa de interpretar a palavra de Deus com coerência e responsabilidade. Todavia, como cristão, preciso reconhecer que o conhecimento humano é limitado, e que, apesar de todos os esforços filosóficos eu nunca poderia conhecer a Deus adequadamente apenas por meio da razão, do contrário não teria sido necessário que Ele nos desse sua revelação nas escrituras. A absolutização da filosofia é um erro; a ignorância da mesma não é um erro menor.