sexta-feira, 30 de março de 2012

O "DUAS CARAS"

Você confia em certos homens tão logo os vê, mas não vá além disso, pois as novas companhias fazem deles novos homens. Como água, eles fervem e congelam de acordo com a temperatura ambiente. Alguns agem dessa forma por falta de princípios; têm a convicção de um cata-vento, portanto giram conforme o vento. É mais fácil medir a lua que saber quem são esses homens de verdade. Eles acreditam em quem paga mais. Eles sempre avaliam tudo como lã de ouro; se o dinheiro estiver à vista, "o que cai na rede é peixe". Eles acompanham qualquer vento, norte, sul, leste, oeste, nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste, nor-nordeste, su-sudeste ou qualquer outro que haja no mundo. Eles, como o sapo, vivem na terra ou na água e não têm nada de especial. Como o gato, eles sempre caem de pé e param em qualquer lugar se untar seus dedos. Amam com carinho seus amigos, mas seu amor repousa no armário; mas se isso não for suficiente, o amor deles corre como um rato para a próxima despensa. Eles dizem: "Deixar você, cara menina? Nunca, enquanto você tiver uma moeda". Se você vir o mau, como eles fogem rápido! Como ratos, eles abandonam o navio que naufraga.

O coração deles segue o pudim. Enquanto a panela ferve, eles sentam perto do fogo; quando o pote de alimento fica vazio, eles mudam de atitude. Eles acreditam no cavalo vencedor; usam o casaco de qualquer pessoa que consigam para lhes dar um; eles podem ser comprados às dúzias como ovos, mas quem oferecer uma moeda por eles desperdiça seu dinheiro. O lucro é o deus deles; e se tirarem o dinheiro de você ou do seu inimigo, tanto faz é bom do mesmo jeito. Se ganham, cabeças e caudas são a mesma coisa. A estrada principal ou a viela de trás são a mesma coisa, desde que cheguem em casa com o pão na cesta. São amigos dos gansos, mas comem seus miúdos. A água apesar de enlameada move a roda deles, mas isso não é o pior; são capazes de queimar o caixão da própria mãe se estiverem sem lenha e de vender o próprio pai se conseguirem algumas moedas pelos ossos do velho senhor. Nunca perdem uma chance de pensar na melhor oportunidade.

Os outros são volúveis porque gostam tanto de boas amizades. "Salve companheiro, você apareceu no momento certo!", esse é o cumprimento deles para viajantes ou caminhoneiros. Eles são tão agradáveis que precisam concordar com todo mundo. São sobrinhos do sr. Qualquer Coisa. Seus cérebros estão na cabeça das outras pessoas. Em Roma, beijam o pé do papa, mas em casa eles ficam roucos de tanto gritar: "Abaixo o papismo". 

Fujam do "duas caras".

quinta-feira, 29 de março de 2012

A PACIÊNCIA

A paciência é melhor do que a sabedoria; trinta gramas de paciência valem mais que meio quilo de massa cerebral. Todos os homens louvam a paciência, mas poucos a louvam o suficiente para praticá-la. É um remédio bom para todas as doenças, como afirma toda senhora de idade, mas as ervas que produzem esse remédio não crescem em todos os jardins. Quando alguém, de carne e osso como nós, fica cheio de dores, é muito natural que murmure, como é natural um cavalo abanar a cabeça quando as moscas o incomodam, ou uma roda ranger quando perde um aro. Mas a natureza não deveria ser a regra para os cristãos ou, então, para que serve sua religião? Se um soldado não lutar melhor que um lavrador, tire seu casaco vermelho. Esperamos mais fruta de uma macieira que de um espinheiro e temos o direito de pensar assim. Os discípulos de um Salvador paciente também devem ser pacientes. O velho ditado aconselha: "Sorria e agüente", mas cantar e carregar é muito melhor. Afinal, temos poucas marcas de chicote, considerando a péssima qualidade de gado que somos; e sempre achamos que nosso sofrimento vem cedo demais. A dor passada é prazer, além de trazer experiência.

Pessoas impacientes lavam suas misérias e sulcam seu bem-estar; as tristezas são visitantes que chegam sem ser convidados, mas as mentes queixosas causam um vagão de problemas em sua casa. Muitas pessoas nascem chorando, vivem se queixando e morrem frustradas; elas mastigam a pílula amarga sem sequer saber não seria tão amarga se tivessem inteligência para engoli-la inteira, com um copo de paciência e água. Pensam que a carga dos outros homens é leve, e a delas pesa como chumbo. Dificilmente elas se cansam da própria opinião.



Os dedos dos pés de ninguém são pisados pelo touro negro com tanta freqüência como os delas; a neve que cai em volta de sua porta é mais espessa, e o granizo faz um barulho mais forte em suas janelas. Contudo, se a verdade fosse conhecida, ficaria claro que é a fantasia delas, e não a má sorte, que faz parecer que as coisas vão mal, a ladainha poderia ser posta de lado se não pensassem apenas nisso. Se pomos um raminho da erva chamada contentamento em uma sopa bem rala ela terá um sabor tão bom como a torta do prefeito. João Lavrador cultiva a erva em seu jardim, mas o último inverno muito rigoroso danificou-a terrivelmente, e ele não conseguiu uma mudinha para dar aos seus vizinhos; eles deviam seguir Mateus 25.9 e procurar os que vendem e compram. A graça é um solo bom para o cultivo, mas precisa ser regada com a água da fonte da misericórdia. Ser pobre nem sempre é agradável, mas coisas piores que isso acontecem no mar. Sapatos pequenos são ótimos para apertar, mas não se o pé for pequeno; se temos poucos recursos, é ótimo que tenhamos desejos modestos. A pobreza não é vergonha, mas ficar descontente com ela é.

Em algumas coisas, os pobres são melhores que os ricos, se um homem pobre tiver fome ele procura um alimento para matar a fome, já o rico que tem demais come além do que precisa para se alimentar. A mesa do pobre logo fica arrumada, e seu trabalho poupa-o de comprar molho. Os melhores médicos são o dr. Dieta, o dr. Sossego e o dr. Feliz, e muitos lavradores religiosos têm todos esses senhores para cuidar deles. A fartura causa gulodice, mas a fome não vê imperfeição no cozinheiro. O trabalho pesado proporciona saúde, e trinta gramas de saúde valem mais do que um saco de diamantes. Há mais doçura em uma colher cheia de açúcar que em um litro de vinagre. Não é a quantidade de nossos alimentos, mas a graça de Deus no que temos que nos faz verdadeiramente ricos.

Quando as dificuldades aparecem, não adianta insultar Deus com pensamentos injustos sobre a providência; isso é o mesmo que dar murro em ponta de faca e se machucar. As árvores se curvam com o vento, e nós também devemos nos curvar. Cada vez que a ovelha bali, perde um bocado, e cada vez que nos queixamos, perdemos uma benção. Queixar-se é um mau negócio e não traz lucro, mas a paciência tem mãos de ouro, nossos males logo terminarão. Depois da chuva surge um brilho claro; corvos negros têm asas; cada inverno se transforma em primavera; cada noite rompe em manhã.
O vento não sopra sempre tão forte. No fim, ele se aquieta.

Quando uma porta se fecha, Deus abre outra, se as ervilhas não crescem bem; os feijões crescem, se uma galinha abandona seus ovos, outra choca toda a ninhada. Há um lado luminoso em todas as coisas, e um Deus bom em todos os lugares. Em um lugar ou outro, no meio da pior onda de problemas sempre há terra firme onde pôr nosso contentamento, e se não houver temos de aprender a nadar.

Irmãos, como diziam os antigos, ponha paciência e água no mingau de aveia antes de apanhar os miseráveis e transmitir aos outros a doença pecaminosa de encontrar imperfeições em Deus. O melhor remédio para a aflição é submeter-se à providência. O que não pode ser curado, deve ser suportado. Se não pudermos ter bacon, louvemos a Deus, pois ainda temos alguns repolhos na horta. "O dever" é uma noz dura de quebrar, mas tem uma semente doce. "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam".O que quer que caia do céu, mais cedo ou mais tarde, faz bem para a terra; o que quer venha de Deus tem valor, mesmo que seja um açoite. Por nossa natureza, não podemos gostar de dificuldades da mesma forma que um rato não cai de amores por um gato, contudo Paulo, pela graça, chegou à glória também em tribulações. Perdas e cruzes são pesadas de suportar, mas é maravilhoso como o fardo fica leve quando nosso coração está do lado direito de Deus. Temos de ir para a glória pelo caminho da Cruz das Lamentações; e como nunca nos foi prometido que iríamos para o céu em uma cama de plumas não podemos nos desapontar ao ver que a estrada é difícil, como nossos pais também acharam antes de nós. Tudo está bem quando termina bem, por isso, aremos o solo mais árido com os olhos na colheita e aprendamos a cantar durante nosso trabalho, enquanto os outros murmuram.
C.H. Spurgeon

Deus nos abençoe!