segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Culto ou Show ?

Vivemos em um tempo onde pregadores do evangelho se tornaram animadores de auditório, estrelas de Jesus, executivos do reino. Mensagens que massageiam o ego, que trazem um evangelho plastificado onde o foco principal é a autoestima pessoal. Tais pregadores ainda cobram cachês altíssimos que chegam até, pasmem, vinte mil reais. O "De graça recebestes, de graça dai" de Mt 10:8 foi totalmente abolido em algumas igrejas hodiernas. 

Imagine se na época de Jesus, E'le começasse a cobrar cachê para realizar suas curas? Se quando o apostolo Pedro descobriu que sua sombra curava (coisa que não aconteceu com Jesus) começasse a chamar seguranças para ninguém chegar perto dele, pois sua sombra iria lhe render uma boa grana.

Para quem se acostumou a liturgias bem feitas, estruturadas, com forte base teológica e unidade, ir a um culto pret-a-porter é algo nada edificante. Houve um empobrecimento das liturgias. Aquilo que se construiu ao longo da história da igreja, os hinos, as orações, as doxologias, as leituras devocionais, cederam espaço a três momentos bem marcados: o louvor, os anúncios e a mensagem. O período de louvor é o tempo do barulho, da excitação, da empolgação. Há uma abundância de letras de adoração, mas faltam os cânticos dedicados ao arrependimento, à confissão, à consagração, à instrução. A moderna corinhologia tem se caracterizado pela abundância de cânticos que repetem jargões e carecem de reflexão teológica.

As prédicas são algo de se lamentar. Talvez tenha sido a coisa que mais empobreceu. Os sermões expositivos cederam lugar aos temáticos, onde é mais fácil o pregador dizer o que quer. E não são poucos os púlpitos onde se usa o texto por pretexto e não se tem sermão, mas arenga. O estudo cedeu lugar ao testemunho, a reflexão à empolgação, a instrução à confusão, a edificação à quantificação. A igreja é hoje avaliada pela sua platéia e não pela fidelidade a Deus e à Palavra. Temos McCultos. Tudo pronto, embrulhado, ao gosto do freguês, digo, fiel. E fidelidade dos membros se mede pelas ofertas que faz. O McCulto é tanto mais abençoado quanto maior for o faturamento do dia.

A vontade de Deus é que sejamos instrumentos da sua graça, portadores da sua voz, transmissores da sua palavra. Pregadores perderam o hábito de orar, de jejuar, pedir graça ao Espírito Santo para que no momento do apelo (convite) o pecador venha arrependido rendendo-se aos pés de Cristo. 

É preocupante os malabarismos feitos nos púlpitos para impressionar uma platéia que já não almejam o evangelho cristocêntrico. Os gritos de profecias e as meninices praticadas por alguns pregadores que não acreditam mais na suficiência do evangelho. Acham que precisa de mais interação e músicas teatrais que comovem os egos feridos dos ouvintes. A suficiência do evangelho está cada dia mais descartada dentro desses cultos shows. 

Jogos de luz, músicas eletrônicas gospel, faixas na cabeça, purpurina, confetes, gritos direcionados ao pregador e explosões de canhões que marcam algumas denominações que pregam o Cristo liberal. 

Só a graça...

Pb Ricardo André

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Infelizmente meu irmão, os cultos motivacionais estão mais e mais na "moda".

      Deus vos abençoe !! Volte sempre !!!

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